Procura-se o cinema na imprensa brasileira

Muitos acreditam que cultura, junto com educação, é o que falta para grande parte da sociedade. Ter acesso a essas duas coisas é raro aqui no Brasil. Não vou me aprofundar e falar como nosso país é atrasado mentalmente nem fazer uma análise sociológica. Minha reflexão é sobre nossos veículos midiáticos. 

O cinema é uma das formas de cultura mais interessantes. Com os filmes nós choramos, rimos e sempre aprendemos alguma coisa. Mas o Brasil ainda não aprendeu a valorizar o poder transformador e informativo da sétima arte. Prova disso é a falta de matérias sobre o tema nos jornais e revistas nacionais. 

Começando com os jornais. No “A Notícia” e no “Notícias do Dia”, os dois maiores do norte catarinense, a parte cultural é extremamente fraca. Em ambos, resume-se aos horários das salas do cinema, a programação da TV aberta e o resumo das novelas. Não há nenhum tipo de informação que o leitor possa extrair das páginas. Em raras ocasiões, quando há uma grande estreia de filme, podemos ver uma matéria diferente. 

Só vemos reportagens especiais sobre longas que são blockbusters. E estas são apenas a sinopse do título em questão, um pouco da história do diretor e, se o repórter estiver inspirado, o trecho de alguma entrevista cedida a outro veículo de comunicação. 

No cenário nacional, em jornais maiores, a coisa muda de figura. É só ver o exemplo da “Folha de SP” e do “Estadão”, onde existem espaços com entrevistas e matérias que valorizam os longas que entram em cartaz. 

As revistas são outro grande problema. Avalie a similaridade entre as três maiores: “Veja”, “Isto É” e “Época”. Em todas, as páginas destinadas a cultura estão nas últimas folhas. Sempre há uma matéria de apenas três páginas sobre cinema, onde a primeira é apenas uma foto e a última é um infográfico com informações que não acrescentam nada. 

O espaço destinado à cultura não é tão precário quanto nos jornais, o problema das revistas é o conteúdo. Experimente ler a matéria cultural principal e obter qualquer tipo de conhecimento. É impossível. Não há entrevistas, e todos os dados citados são repetitivos. 

Ok. Você pode estar pensando: e a internet? E as revistas especializadas? Sim, na internet existem sites para tudo, cinema, fotografia, teatro, em fim, uma infinidade de coisas. E em qualquer banca você encontra revistas sobre todos os assuntos possíveis. Mas nem todos têm paciência, tempo e disposição para isso. Não seria mais fácil se existissem matérias bem feitas nos jornais e revistas que todos lêem? 

Pode parecer estranho, mas enquanto a maioria dos estudantes de jornalismo tem a pretensão (ou sonho, como queiram chamar) de mudar o mundo, meu único objetivo é falar decentemente sobre cinema nos jornais aqui de Joinville. E se você acha isso simples, é porque nunca leu nenhum jornal aqui da cidade.

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